Campanário náufrago
Lago inunda igreja e deixa só torre de fora
Campanário é resquício de cidade medieval submersa
Como o periscópio de um submarino a explorar os arredores, a torre de uma igreja do século 14 emerge solitária de dentro de um lago no meio das montanhas dos Alpes. A inusitada cena sequer surpreende os moradores da antiga vila medieval de Graun, na Itália, mas causa espanto em 10 entre 10 viajantes que visitam lugar.
A construção afundada é a velha matriz do vilarejo, que teve de ser desocupada e submersa para a construção de uma hidrelétrica em meados do século 20. Além da igreja, quase 200 casas foram sacrificadas para que o reservatório de água pudesse ser feito entre as montanhas do Tirol italiano, próximo à tríplice fronteira com Suíça e Áustria.
Tudo começou em 1939, quando a companhia de eletricidade Montecatini iniciou o projeto de construção da usina a partir da união de dois lagos naturais - o Reschensee e o Mittersee - e a subseqüente inundação das vilas de Graun e Reschen.
Apesar da população local ter se oposto ao projeto, o local foi inteiramente submerso em 1950, criando um lago com 22 m de profundidade. Para isso, cerca de 523 hectares de terras cultivadas foram inutilizadas pela água.
Um conjunto residencial foi construído para alojar os moradores da antiga vila de Graun e, desde então, o lago com a torre solitária da igreja tornou-se o brasão símbolo do município (imagem acima) e um dos principais pontos turísticos da região de Vischgau. Especialmente nos meses de inverno, quando é possível caminhar até a construção e quase tocar seu sino.






